terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.

terça-feira, 11 de julho de 2017

SERÁ QUE A RESERVA MORAL DA NAÇÃO ENFRAQUECEU?

Será que a reserva moral da Nação enfraqueceu?
(Publicado no semanário O DIABO em 170711)

A tragédia que afectou muitos portugueses do interior, principalmente da denominada «zona do pinhal», com os fogos florestais, deve ser motivo de boa reflexão. Foi um grande abalo, principalmente por terem sido criadas leis com medidas para os prevenir, mas que não foram concretizadas no terreno por não terem sido criadas condições adequadas. Com as alterações ocorridas nas técnicas agrícolas que tornaram menos utilizados os matos, a caruma e os ramos dos pinheiros, o que mantinha as florestas permanentemente limpas, os fogos tornaram-se mais frequentes e é incompreensível, perante tais evoluções, a decisão de extinguir a Guarda Florestal que teria um papel importante na supervisão do cumprimento das regras legisladas destinadas a evitar incêndios e, também como consequência, na mentalização das populações, autarquias e serviços inerentes à prevenção. E nada ficou com aptidão e missão para a substituir, nessas indispensáveis tarefas. A imposição das adequadas medidas preventivas reduziria a calamidade que, desde há vários anos, ameaça com gravidade crescente as vidas e os bens dos habitantes das áreas mais desprotegidas.

Mas, quase ao mesmo tempo desta tragédia, a Nação sofreu outro forte abalo, o da ineficácia das forças que em tempos foram denominadas «reserva moral da Nação». Por incúria, parece que continuada, mostraram que não são capazes de defender a Nação, pois nem sequer conseguem impedir que lhes furtem o armamento guardado em paióis que era suposto serem guardados de forma a torná-los invioláveis.

Quais as causas deste furto, como de outros já ocorridos nos seus quartéis e também na Polícia. Parece haver um enfraquecimento da disciplina, da dedicação ao cumprimento do dever, do sentido de responsabilidade, incutido na mente dos recrutas do serviço militar obrigatório (SMO). Mas este foi extinto como o foi a Guarda Fiscal. Parece doença endémica generalizada!

Desapareceu o culto da excelência e poucos procuram evidenciar-se pelos resultados excelentes das suas acções. Noutros tempos, não havia horário para, à tarde se sair das unidades, pois isso não dependia de relógio mas sim do «toque de ordem», quando a ordem de serviço já estava afixada nas vitrinas das subunidades. Não era muito utilizada a dureza da instrução porque essa era doseada por forma a dar importância à acção cívica, à disciplina, à actividade em trabalho de equipa com vista a objectivos e tudo isso orientado para o respeito pela Pátria, para a defesa do País e dos interesses colectivos. Era a procura da eficiência com vista à segurança das pessoas e dos materiais.

Há quem diga que os militares que se encontram de guarda aos quartéis, por receio de acidentes com arma de fogo, não têm condições para responder com a necessária rapidez a agressores violentos. E é preciso adequar as condições de actuação de sentinelas ao momento actual de ameaças de terrorismo e outros actos violentos. Há casos em que a reacção dos responsáveis pela segurança tem que ser imediata e adequada às circunstâncias. Portanto a instrução deve preparar o pessoal para reagir prontamente a situações críticas, sem perder a sensatez e o auto-domínio.

Resumindo, estes dois acontecimentos indesejáveis exigem dois tipos de decisões imediatas uma com efeito relativamente rápido e outra de resultados mais demorados mas sustentáveis no futuro. A primeira consiste em remediar os danos causados, com medidas adequadas. A outra traduz-se em analisar cuidadosa e rigorosamente as causas do sucedido e preparar medidas muito correctas e ponderadas para o futuro, a partir de agora, para colmatar os erros, omissões, falhas de organização, desleixos, irresponsabilidades, etc. que ocasionaram os acidentes. Assim se definirão lições de organização e procedimentos que evitem repetições de situações críticas.

Será bom que o sucedido no mês dos Santos populares seja bem aproveitado como lição e incentivo para serem realizados melhoramentos nas instituições públicas por forma a terem mais eficiência nos resultados a obter, a bem dos interesses nacionais. Façamos tudo para bem da Pátria, que é de todos nós mas que muitos ignoram e desprezam. Defendamos todos e cada um dos seus sectores, desde a floresta até à força moral dos defensores de Portugal, que devemos defender em todos os aspectos, quer físicos e materiais, quer cívicos e morais. Façamos tudo quanto pudermos para tonificar a reserva moral da Nação, para darmos ao mundo novos exemplos de bem-fazer, como diria Luís de Camões se ainda fosse vivo.

António João Soares
4-07-2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

A ÉTICA DEVE SER SEMPRE RESPEITADA

A Ética deve ser sempre respeitada
(Publicado em O DIABO em 4 de Julho de 2017)

O valor de um ser humano depende fundamentalmente da sua interacção com os outros, isto é, da ética ou civismo com que se comporta. Isso manifesta-se de múltiplas formas, em diversas ocasiões, em que o respeito pelos outros é posto à prova.

Na circulação rodoviária há o código da estrada que define os deveres e direitos de cada um e são definidos por lei, entre muitos outros aspectos, o direito de prioridade e a proibição de estacionamento em condições que afectem os direitos de circulação de outros. Para o movimento de peões não existe um código semelhante e, por isso, deve haver ética e preocupação de não prejudicar o direito de os outros usarem o espaço público, com o máximo de comunidade.

Estou a recordar-me daquilo que se passou comigo, há algum tempo, no acesso à Estação da CP do Rossio. Como vinha fazendo desde algum tempo, saía do Metro dos Restauradores, entrava para a estação e subia a escada rolante. Naquele dia em frente da entrada estavam duas senhoras, talvez mãe e filha, tendo saído ou querendo entrar, que tinham alguma hesitação e conversavam (ou discutiam) e dificultando que outra pessoa entrasse ou saísse sem ter de as empurrar para um lado. A seguir, um casal estava a impedir o acesso à escada rolante que subia, sendo preciso dar-lhe um toque no braço e dizer «com licença, faz favor». Dias depois, neste segundo local, um indivíduo, a caminhar para trás, ao mesmo tempo que conversava com outras pessoas, obrigou-me a dar um salto para não tropeçar na perna dele e cair. Tal queda poderia ser danosa para um octogenário.

Estes casos não são raros, infelizmente, e demonstram impreparação de muita gente para viver com respeito para com os outros tal como desejam para eles. Uma distracção pode ocorrer, mas não deixa de significar falta de civismo, de ética, de educação.

Mas nem tudo é mau. Gosto de dizer «obrigado» e de fazer algo que me dê o prazer de ouvir essa palavra sempre agradável. Una dias depois do atrás referido e quando andava a reflectir sobre o caso, ouvi-a duas vezes dita de forma simpática. Às 08h00, na fila de espera para a Loja do Cidadão, estava à minha frente um mais idoso do que eu, apoiado numa bengala e mexendo as pernas mostrando incomodidade de estar em pé, como havia uma esplanada com cadeiras, aconselhei-o a sentar-se numa e que eu lhe guardaria o lugar na fila. Esta foi-se movendo por acomodação das pessoas e, às 08h30, iniciou-se a movimentação decisiva, olhei para trás e vi o sr já de pé, mostrei-me para saber onde eu estava e lá tomou o lugar inicial, com um obrigado. A segunda vez, depois de almoço, descia uma calçada muito inclinada com passeio estreito, com carros estacionados e vi que uma senhora vinha a subir, com a fadiga própria da inclinação da via, e para não termos o incómodo de ambos pararmos e nos espremermos para passar, parei num espaço mais folgado e esperei que ela passasse e ouvi o reconfortante obrigado.

Enfim, não é difícil ser amável e, muitas vezes, ouve-se o prémio da ética. Ouvir um «obrigado», «faz favor» ou outra amabilidade semelhante reconforta e dá energia para enfrentar as dificuldades da vida. Mas o relacionamento de harmonia e paz deve também existir entre os Estados e é justo que se cite o exemplo dado pela China que se preocupa muito com a boa harmonia entre Estados, como o tem demonstrado em vários casos. Antes do século VII a.C. iniciou a construção da emblemática muralha para evitar a invasão de Mongóis de outras tribos nómadas, evitando guerras. Mesmo assim, a Mongólia invadiu o seu território durante quase todo o século XIII, mas conseguiu que saísse. Também, tendo no século XIX sofrido duas invasões pela Grã-Bretanha, na «guerra do ópio», conseguiu libertar-se dos invasores. Também depois da II GM se conseguiu libertar da invasão pelo Japão. Em 1 de Abril e 2001 interceptou no seu espaço aéreo um avião espião americano EP3 que, entretanto, chocou com um dos caças chineses, que acabou por cair no mar com o piloto, e obrigou-o a aterrar na ilha de Hainan, tratando com humanidade os seus tripulantes e permitindo a sua retirada cerca de duas semanas depois.

Não consta na história que a China tivesse desencadeado qualquer guerra e merece destaque o acto de o Governo chinês ter recomendado em 05-06-2017 aos países árabes que se "mantenham unidos", face à decisão da Arábia Saudita, Egipto, Emiratos Árabes Unidos e Bahrein de romperem relações diplomáticas com o Qatar, e depois de Trump, durante a sua visita à Arábia Saudita, ter incitado ao recrudescimento da luta contra os apoiantes do terrorismo. Segundo a China, esses países devem gerir adequadamente as suas diferenças através do diálogo e consultas, e manterem-se unidos para promoverem, conjuntamente, a paz e a estabilidade regionais.

Assim, verificamos que a ética e o bom relacionamento devem ser tidos em consideração nas relações entre todos os seres humanos de qualquer classe social, até aos mais poderosos governantes.

Runa, 30 de Maio de 2017
António João Soares

quarta-feira, 28 de junho de 2017

REGIMES POLÍTICOS NECESSITAM DE REFORMAS

Regimes políticos necessitam de reformas
(Publicado em O DIABO em 27 de Junho de 2017)

Os sistemas eleitorais têm dado resultados pouco credíveis, pouco realistas e imprevisíveis e sem agradarem plenamente, o que nada abona a favor dos ideais democráticos.

Houve o caso português com o artifício de criar a geringonça. Nos EUA diz-se que o vencedor das eleições presidenciais não correspondeu ao detentor do maior número de votos. Em Espanha houve confusão nas legislativas de que resultou a demora de constituição de novo Governo e este só surgiu depois de novas eleições. Em França, na eleição presidencial acabou por se escolhido um candidato independente e de os partidos mais tradicionais e credenciados terem ficado derrotados. Agora, na Grã-Bretanha a vencedora não tem maioria absoluta no Parlamento e surgem muitas dúvidas quanto à capacidade de o brexit ser negociado com a UE de forma favorável aos interesses da Grã-Bretanha e já há quem receie que as cláusulas do acordo a elaborar sejam ditadas pela UE, sem respeitar interesses essenciais do Reino Unido, por estes não serem devidamente defendidos.

A doutrina democrática está em falência, com os partidos a perder prestígio e o sistema eleitoral a necessitar de profunda reforma. No horizonte, pairam sinais de que o mundo poderá estar a orientar-se para a ditadura, com o povo desorientado, pelo poder disperso democraticamente, e estar à procura de rumo para uma concentração na mão de um pastor todo poderoso, a quem o povo obedece, como ovelhas dóceis ou como crianças de colégio infantil que se deslocam em filas de dois, de mãos dadas, sob a vigilância de educadoras. Mas, atenção, um tal regime exige regras e pessoas interventivas que apresentem sugestões e propostas que impeçam excessos autoritários que originem pior instabilidade do que a da democracia.

Será bom que surja um filósofo, doutrinador, que apresente boas hipóteses de solução e que escolha a melhor e a esquematize por forma a definir o objectivo principal de organização e regras de funcionamento.

Mas, entretanto, há que aproveitar todas as oportunidades para criar força anímica no sentido de as energias serem bem encaminhadas para objectivos essenciais, para olhar em frente. Porém, deve haver a sensatez de evitar que, ao dar um passo, não se entre em aventuras caprichosas sem estar bem consciente de que não haja desvios do trajecto que conduz ao resultado desejado. Porém, é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. No nosso caso lusitano, há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, daqueles que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há, também, que analisar os erros cometidos durante aquilo a que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que dela resultará, a fim de se poder ir «mais longe e mais além». E, relembrando os Lusíadas, não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos. Cabe a cada um de nós desenvolver o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe, numa bandeja, um futuro melhor. Temos que procurar ir «para além da Taprobana». E nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos. Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».

Em qualquer gesto de reforma ou mudanças no regime, é conveniente não se limitar a pequenos retoques, isto é, há que se inserir numa visão de conjunto com vista a objectivos abrangentes para serem sustentáveis. Por exemplo, é opinião corrente que os partidos têm sido o cancro fatal da democracia, como ultimamente se viu em França e na Espanha, onde essas ferramentas tradicionais foram postas de lado por novos grupos. Oxalá estes saibam gerir melhor os interesses colectivos dos seus concidadãos. Em Portugal, o fenómeno ficou-se pela geringonça que, por ser constituída por partidos viciados no sistema, nada mudou no aperfeiçoamento da Justiça, na eliminação da corrupção, na recusa de obedecer aos poderosos da finança, na simplificação da administração despedindo «boys» que nada fazem (ou tudo complicam) e vivem a pensar no dia em que recebem o salário, na injustiça social, etc.

Haja vontade e amor pátrio e coragem para levar a carta a Garcia. Os cidadãos desejam e merecem que se faça tudo pela melhoria da sua qualidade de vida, em clima de Justiça Social.

António João Soares
Em 20 de Junho de 2017

terça-feira, 20 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA GERA MAIS VIOLÊNCIA, ÓDIOS E VINGANÇAS

A violência gera mais violência, ódios e vingançasbr /> (Publicado em O DIABO em 20 de Junho de 2017)

Embora consciente de que não é fácil amenizar o lado selvagem da mente dos governantes das grandes potências, tenho repetido o alerta de que a violência não dá bons frutos e, pelo contrário, dá origem a mais violência em escalada imparável, a ódios e a desejos de vingança. Vemos a concretização deste fenómeno a cada passo como se viu com o atentado em Cabul em que um carro armadilhado matou pelo menos 90 pessoas e feriu cerda de 400, perto do Palácio Presidencial, onde se encontram várias embaixadas e edifícios do Governo, causando danos nas embaixadas da França e da Alemanha.

A confirmar a ideia atrás exposta, recordemos que em 13 de Abril, os EUA lançaram no Afeganistão a maior bomba não nuclear do seu arsenal, a «mãe de todas as bombas», alegando com fanfarronice que, com isso, iam eliminar o Estado Islâmico. Mas este, sem grande demora, reagiu e, no dia 22, perpetrou um ataque contra base militar, causando a morte a mais de 100 soldados afegãos.

E não ficaram por aí, pois em 3 de Maio causaram oito mortos e 26 feridos em ataque a caravana da NATO em Cabul. E no último dia de Maio, novo atentado em Cabul fez os resultados atrás referidos.

Mas se os governantes são os decisores de acções violentas de retaliação que activam o terrorismo e as acções violentas contra os direitos humanos à vida e à harmonia social, eles não são os responsáveis conscientes dessas suas acções, porque quem impõe as guerras e obriga os governantes a fazê-las são os fabricantes de armas. O general Dwight Eisenhower, nos últimos tempos de vida, alertou para o perigo que os milionários do «complexo industrial militar» representam para a PAZ e pela pressão que fazem sobre governantes e chefes de grupos terroristas e dissidentes oposicionistas, para aumentarem o seu negócio, para consumirem o veneno que fabricam.

Por isso um líder de grande potência, antes de decidir, deve ouvir pessoas clarividentes de vários sectores e as suas opiniões devem ser tidas em atenção e respeito. O Trump não tem cura e age por palpite, empurrado pela sua vaidade e ambição, mas sem raciocinar sobre o efeito dos actos que desencadeia. Era previsível que a «bomba mãe de todas as bombas» não iria terminar o terrorismo islâmico nem acabar com o Daesh, mas apenas um acto de violência, com efeito na propaganda, mas que, na realidade, seria mais uma jogada que incitava resposta e esta não demorou e com demasiados resultados graves.

Será que o abandono do Acordo de Paris constitui mais um erro, já condenado por todo o Mundo? Há quem preveja que, sem mais cuidados na redução da poluição, haja alterações climáticas cada vez mais graves, provocando doenças e mortes e aumento da emigração devida à desertificação de extensas áreas sensíveis. Erros de hoje produzirão tragédia para os nossos descendentes.

Quanto à intromissão nos assuntos internos de outros estados, deve ser muito bem ponderada preparando resultados positivos, com respeito pelos verdadeiros direitos das pessoas. Hoje, há diversos analistas a referirem os péssimos resultados para os estados visados e as áreas em que se encontram das destituições e mortes de Saddan Hussein no Iraque e de Muammar Khadafi na Líbia. Num e noutro destes dois casos, os resultados são visíveis na situação de guerra e de caos em que passaram a sobreviver as populações. Casos como estes devem ser tidos como lições sobre a necessidade de bom senso, racionalidade, sensibilidade e humanidade.

Prefira-se a negociação em vez da violência. Desenvolva-se a diplomacia, e mantenham-se os militares preparados para resolver apenas casos extremamente graves e excepcionais. Os diplomatas devem ser preparados e mentalizados para incentivar a procura de soluções por meio de diálogo e negociação entre as partes desavindas e servir de intermediários para conduzir as partes a encontros bem aceites. Evitem a violência e defendam o reforço da harmonia e da paz. Querer eliminar a violência à custa de mais violência é como querer matar a fome com mais privação de alimentos.

13 de Junho de 2017
António João Soares

quarta-feira, 14 de junho de 2017

IDOSOS PRECISAM DE SOLIDARIEDADE



Idosos precisam de solidariedade
(Publicado no semanário O DIABO em 170613)

Era o Sábado 3 de Junho e os residentes do Centro de Apoio Social, à hora habitual, entraram para o refeitório para tomarem o almoço. As mesas tinham uma disposição ligeiramente diferente e os de duas mesas foram transferidos para outras com lugares disponíveis. Já todos estavam sentados quando chegaram os elementos do grupo coral de cantares alentejanos «Lírio Roxo». O Director disse palavras simpáticas de recepção aos visitantes e o almoço iniciou normalmente e, após a sopa, o Chefe do Grupo respondeu às boas vindas com os seus artistas a entoarem um canto, dos muitos que são património cultural da humanidade. E, depois, tudo decorreu sem mais condimentos nem molhos.

Saídos do refeitório foram se dirigindo para o Bar e para a Sala de Leitura onde a arrumação das cadeiras tinha sido feita por forma a haver espaço para os artistas e para a assistência. Quando chegou a hora de iniciar, o Director fez um breve e simpático discurso que agradou a todos e o Coro iniciou com a primeira moda, finda a qual e terminados os aplausos, o Chefe respondeu ao Director e disse palavras amáveis aos presentes, alguns em cadeiras de rodas e outros um pouco alheios por estarem dominados pelos efeitos da doença.

Ao fim de várias modas, foi feito um intervalo para os cantores, o qual foi preenchido por uma acordeonista que entreteve a assistência com música variada que se prestou a que homens e mulheres dançassem. Alguns, depois de se afastarem das bengalas e canadianas, procuraram mover-se um pouco, com muito prazer e algum esforço. Um destes, a meio da canção, desistiu porque o esforço já era demasiado. A idade exige distracção, convívio e divertimento, mas dentro de limites que, em alguns casos, são muito apertados.

Depois da actuação da acordeonista, houve lanche e, a seguir, novos «cantes» alentejanos até ao encerramento.

Foi uma tarde bem passada, em ambiente muito agradável, sem qualquer discriminação entre residentes, empregados, artistas e familiares que se inseriram com oportunidade. Estas horas bem passadas com prazer para todos correspondem à problemática referida no meu texto publicado no semanário O DIABO em 21 de Março de 2017 com o título «Os idosos não precisam apenas de comer e dormir». Também, há poucos dias, li notícia que diz que, na Holanda, há regular apoio de jovens estudantes a lares de idosos, ao ponto de estes lhes darem alojamento para lhes facilitar conversarem e distraírem os idosos internados.

Realmente, o meu artigo tinha título correcto e merece ser devidamente interpretado e aplicado, dentro das possibilidades existentes, não apenas nos lares mas também em família, na vizinhança e em grupos de amigos. Acerca disto, transcrevo palavras do Papa Francisco sobre o envelhecimento, em que segundo Ele, se aprende coisas essenciais como «A felicidade interna não vem das coisas materiais do mundo… quando se tem amigos e irmãos, com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira».