quarta-feira, 26 de julho de 2017

OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA

Os cães ladram e a caravana passa
(Publicado no semanário O DIABO em 170725)

No meio das múltiplas notícias sobre a tensão crescente entre a Coreia do Norte e os EUA recordei o aforismo dos tempos de criança «os cães ladram e a caravana passa». É desconcertante a atitude infantil do líder da Coreia do Norte ao querer trepar para um patamar que o coloque ao nível do presidente dos EUA. E é demasiado traquina ao ponto de não recuar ao ver o porta-aviões e a sua esquadra perto da costa. Mas também é pouco racional a atitude dos EUA de se mostrarem preocupados com a traquinice renitente de Kim Jong-Un que, por enquanto, não causou danos pessoais nem materiais.

Ter mísseis não é crime. É, apenas, a imitação de variados Estados que, como como a Coreia do Norte, são membros das Nações Unidas, que é considerada uma Instituição Internacional defensora das relações internacionais democráticas. Ter armas nucleares também não consta que seja crime e o exemplo vem dos próprios EUA, os quais já a utilizaram causando resultados catastróficos no Japão. É certo que o Conselho de Segurança tem imposto restrições a pequenos países a quem não concede os direitos que os cinco grandes – com assento permanente e direito de veto – usam ostensivamente e de forma nada democrática, considerando-os exclusivamente seus.

Mesmo que a Coreia do Norte, numa das suas experiências, por erro de pontaria, provoque alguns danos, não será original face aos estragos feitos pelos EUA em diversos pontos do globo em territórios de estados soberanos, como Iraque, Líbia, Síria, etc. Mas, se e quando houver tais danos provocados pela Coreia do Norte, então já é motivo para a resposta dura que está sendo prometida, ameaçadoramente, por Trump.

Mas é imperioso que seja seguida, com sensatez e inteligência, a sugestão da China e da Rússia de procurar por conversações, diálogo e outros efeitos da diplomacia, terminar a tensão existente e procurar uma convivência pacífica entre os Estados e que deixe de haver «miúdos traquinas a fazer e prometer perrices» só para irritar o graúdo. E um outro aforismo antigo diz «cão que ladra não morde» e aplica-se a ambos os lados das contendas de crianças.

Mas o norte-coreano tem obtido êxito com as suas traquinices levando a comunicação que temos a dar-lhe nome e imagem muito acima do valor e poder do seu pequeno país. Porém, apresar de tudo, convém não exagerar na escalada de ameaças verbais, para não correr o risco de ultrapassar a linha limite da paciência de uma das partes, principalmente da mais forte.

A propósito desta escalada de provocações, um recente artigo de opinião do principal jornal norte-coreano, o Rodong Sinmun, dizia que "os Estados Unidos afirmam que vão enviar de forma regular bombardeiros estratégicos para a península da Coreia, um acto tão disparatado como voltar a atear fogo em cima de um depósito de munições". Seria mais prudente que de ambos os lados, houvesse contenção e fossem desenvolvidos gestos significativos de desejos de harmonia e convivência pacífica, em condições serenamente definidas. Quem teria mais a ganhar seria, logicamente, o menos forte e, na sequência, toda a humanidade, por desaparecer este foco infeccioso qua ameaça graves perigos para o planeta.

António João Soares
Em 18 de Julho de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.

terça-feira, 11 de julho de 2017

SERÁ QUE A RESERVA MORAL DA NAÇÃO ENFRAQUECEU?

Será que a reserva moral da Nação enfraqueceu?
(Publicado no semanário O DIABO em 170711)

A tragédia que afectou muitos portugueses do interior, principalmente da denominada «zona do pinhal», com os fogos florestais, deve ser motivo de boa reflexão. Foi um grande abalo, principalmente por terem sido criadas leis com medidas para os prevenir, mas que não foram concretizadas no terreno por não terem sido criadas condições adequadas. Com as alterações ocorridas nas técnicas agrícolas que tornaram menos utilizados os matos, a caruma e os ramos dos pinheiros, o que mantinha as florestas permanentemente limpas, os fogos tornaram-se mais frequentes e é incompreensível, perante tais evoluções, a decisão de extinguir a Guarda Florestal que teria um papel importante na supervisão do cumprimento das regras legisladas destinadas a evitar incêndios e, também como consequência, na mentalização das populações, autarquias e serviços inerentes à prevenção. E nada ficou com aptidão e missão para a substituir, nessas indispensáveis tarefas. A imposição das adequadas medidas preventivas reduziria a calamidade que, desde há vários anos, ameaça com gravidade crescente as vidas e os bens dos habitantes das áreas mais desprotegidas.

Mas, quase ao mesmo tempo desta tragédia, a Nação sofreu outro forte abalo, o da ineficácia das forças que em tempos foram denominadas «reserva moral da Nação». Por incúria, parece que continuada, mostraram que não são capazes de defender a Nação, pois nem sequer conseguem impedir que lhes furtem o armamento guardado em paióis que era suposto serem guardados de forma a torná-los invioláveis.

Quais as causas deste furto, como de outros já ocorridos nos seus quartéis e também na Polícia. Parece haver um enfraquecimento da disciplina, da dedicação ao cumprimento do dever, do sentido de responsabilidade, incutido na mente dos recrutas do serviço militar obrigatório (SMO). Mas este foi extinto como o foi a Guarda Fiscal. Parece doença endémica generalizada!

Desapareceu o culto da excelência e poucos procuram evidenciar-se pelos resultados excelentes das suas acções. Noutros tempos, não havia horário para, à tarde se sair das unidades, pois isso não dependia de relógio mas sim do «toque de ordem», quando a ordem de serviço já estava afixada nas vitrinas das subunidades. Não era muito utilizada a dureza da instrução porque essa era doseada por forma a dar importância à acção cívica, à disciplina, à actividade em trabalho de equipa com vista a objectivos e tudo isso orientado para o respeito pela Pátria, para a defesa do País e dos interesses colectivos. Era a procura da eficiência com vista à segurança das pessoas e dos materiais.

Há quem diga que os militares que se encontram de guarda aos quartéis, por receio de acidentes com arma de fogo, não têm condições para responder com a necessária rapidez a agressores violentos. E é preciso adequar as condições de actuação de sentinelas ao momento actual de ameaças de terrorismo e outros actos violentos. Há casos em que a reacção dos responsáveis pela segurança tem que ser imediata e adequada às circunstâncias. Portanto a instrução deve preparar o pessoal para reagir prontamente a situações críticas, sem perder a sensatez e o auto-domínio.

Resumindo, estes dois acontecimentos indesejáveis exigem dois tipos de decisões imediatas uma com efeito relativamente rápido e outra de resultados mais demorados mas sustentáveis no futuro. A primeira consiste em remediar os danos causados, com medidas adequadas. A outra traduz-se em analisar cuidadosa e rigorosamente as causas do sucedido e preparar medidas muito correctas e ponderadas para o futuro, a partir de agora, para colmatar os erros, omissões, falhas de organização, desleixos, irresponsabilidades, etc. que ocasionaram os acidentes. Assim se definirão lições de organização e procedimentos que evitem repetições de situações críticas.

Será bom que o sucedido no mês dos Santos populares seja bem aproveitado como lição e incentivo para serem realizados melhoramentos nas instituições públicas por forma a terem mais eficiência nos resultados a obter, a bem dos interesses nacionais. Façamos tudo para bem da Pátria, que é de todos nós mas que muitos ignoram e desprezam. Defendamos todos e cada um dos seus sectores, desde a floresta até à força moral dos defensores de Portugal, que devemos defender em todos os aspectos, quer físicos e materiais, quer cívicos e morais. Façamos tudo quanto pudermos para tonificar a reserva moral da Nação, para darmos ao mundo novos exemplos de bem-fazer, como diria Luís de Camões se ainda fosse vivo.

António João Soares
4-07-2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

A ÉTICA DEVE SER SEMPRE RESPEITADA

A Ética deve ser sempre respeitada
(Publicado em O DIABO em 4 de Julho de 2017)

O valor de um ser humano depende fundamentalmente da sua interacção com os outros, isto é, da ética ou civismo com que se comporta. Isso manifesta-se de múltiplas formas, em diversas ocasiões, em que o respeito pelos outros é posto à prova.

Na circulação rodoviária há o código da estrada que define os deveres e direitos de cada um e são definidos por lei, entre muitos outros aspectos, o direito de prioridade e a proibição de estacionamento em condições que afectem os direitos de circulação de outros. Para o movimento de peões não existe um código semelhante e, por isso, deve haver ética e preocupação de não prejudicar o direito de os outros usarem o espaço público, com o máximo de comunidade.

Estou a recordar-me daquilo que se passou comigo, há algum tempo, no acesso à Estação da CP do Rossio. Como vinha fazendo desde algum tempo, saía do Metro dos Restauradores, entrava para a estação e subia a escada rolante. Naquele dia em frente da entrada estavam duas senhoras, talvez mãe e filha, tendo saído ou querendo entrar, que tinham alguma hesitação e conversavam (ou discutiam) e dificultando que outra pessoa entrasse ou saísse sem ter de as empurrar para um lado. A seguir, um casal estava a impedir o acesso à escada rolante que subia, sendo preciso dar-lhe um toque no braço e dizer «com licença, faz favor». Dias depois, neste segundo local, um indivíduo, a caminhar para trás, ao mesmo tempo que conversava com outras pessoas, obrigou-me a dar um salto para não tropeçar na perna dele e cair. Tal queda poderia ser danosa para um octogenário.

Estes casos não são raros, infelizmente, e demonstram impreparação de muita gente para viver com respeito para com os outros tal como desejam para eles. Uma distracção pode ocorrer, mas não deixa de significar falta de civismo, de ética, de educação.

Mas nem tudo é mau. Gosto de dizer «obrigado» e de fazer algo que me dê o prazer de ouvir essa palavra sempre agradável. Una dias depois do atrás referido e quando andava a reflectir sobre o caso, ouvi-a duas vezes dita de forma simpática. Às 08h00, na fila de espera para a Loja do Cidadão, estava à minha frente um mais idoso do que eu, apoiado numa bengala e mexendo as pernas mostrando incomodidade de estar em pé, como havia uma esplanada com cadeiras, aconselhei-o a sentar-se numa e que eu lhe guardaria o lugar na fila. Esta foi-se movendo por acomodação das pessoas e, às 08h30, iniciou-se a movimentação decisiva, olhei para trás e vi o sr já de pé, mostrei-me para saber onde eu estava e lá tomou o lugar inicial, com um obrigado. A segunda vez, depois de almoço, descia uma calçada muito inclinada com passeio estreito, com carros estacionados e vi que uma senhora vinha a subir, com a fadiga própria da inclinação da via, e para não termos o incómodo de ambos pararmos e nos espremermos para passar, parei num espaço mais folgado e esperei que ela passasse e ouvi o reconfortante obrigado.

Enfim, não é difícil ser amável e, muitas vezes, ouve-se o prémio da ética. Ouvir um «obrigado», «faz favor» ou outra amabilidade semelhante reconforta e dá energia para enfrentar as dificuldades da vida. Mas o relacionamento de harmonia e paz deve também existir entre os Estados e é justo que se cite o exemplo dado pela China que se preocupa muito com a boa harmonia entre Estados, como o tem demonstrado em vários casos. Antes do século VII a.C. iniciou a construção da emblemática muralha para evitar a invasão de Mongóis de outras tribos nómadas, evitando guerras. Mesmo assim, a Mongólia invadiu o seu território durante quase todo o século XIII, mas conseguiu que saísse. Também, tendo no século XIX sofrido duas invasões pela Grã-Bretanha, na «guerra do ópio», conseguiu libertar-se dos invasores. Também depois da II GM se conseguiu libertar da invasão pelo Japão. Em 1 de Abril e 2001 interceptou no seu espaço aéreo um avião espião americano EP3 que, entretanto, chocou com um dos caças chineses, que acabou por cair no mar com o piloto, e obrigou-o a aterrar na ilha de Hainan, tratando com humanidade os seus tripulantes e permitindo a sua retirada cerca de duas semanas depois.

Não consta na história que a China tivesse desencadeado qualquer guerra e merece destaque o acto de o Governo chinês ter recomendado em 05-06-2017 aos países árabes que se "mantenham unidos", face à decisão da Arábia Saudita, Egipto, Emiratos Árabes Unidos e Bahrein de romperem relações diplomáticas com o Qatar, e depois de Trump, durante a sua visita à Arábia Saudita, ter incitado ao recrudescimento da luta contra os apoiantes do terrorismo. Segundo a China, esses países devem gerir adequadamente as suas diferenças através do diálogo e consultas, e manterem-se unidos para promoverem, conjuntamente, a paz e a estabilidade regionais.

Assim, verificamos que a ética e o bom relacionamento devem ser tidos em consideração nas relações entre todos os seres humanos de qualquer classe social, até aos mais poderosos governantes.

Runa, 30 de Maio de 2017
António João Soares

quarta-feira, 28 de junho de 2017

REGIMES POLÍTICOS NECESSITAM DE REFORMAS

Regimes políticos necessitam de reformas
(Publicado em O DIABO em 27 de Junho de 2017)

Os sistemas eleitorais têm dado resultados pouco credíveis, pouco realistas e imprevisíveis e sem agradarem plenamente, o que nada abona a favor dos ideais democráticos.

Houve o caso português com o artifício de criar a geringonça. Nos EUA diz-se que o vencedor das eleições presidenciais não correspondeu ao detentor do maior número de votos. Em Espanha houve confusão nas legislativas de que resultou a demora de constituição de novo Governo e este só surgiu depois de novas eleições. Em França, na eleição presidencial acabou por se escolhido um candidato independente e de os partidos mais tradicionais e credenciados terem ficado derrotados. Agora, na Grã-Bretanha a vencedora não tem maioria absoluta no Parlamento e surgem muitas dúvidas quanto à capacidade de o brexit ser negociado com a UE de forma favorável aos interesses da Grã-Bretanha e já há quem receie que as cláusulas do acordo a elaborar sejam ditadas pela UE, sem respeitar interesses essenciais do Reino Unido, por estes não serem devidamente defendidos.

A doutrina democrática está em falência, com os partidos a perder prestígio e o sistema eleitoral a necessitar de profunda reforma. No horizonte, pairam sinais de que o mundo poderá estar a orientar-se para a ditadura, com o povo desorientado, pelo poder disperso democraticamente, e estar à procura de rumo para uma concentração na mão de um pastor todo poderoso, a quem o povo obedece, como ovelhas dóceis ou como crianças de colégio infantil que se deslocam em filas de dois, de mãos dadas, sob a vigilância de educadoras. Mas, atenção, um tal regime exige regras e pessoas interventivas que apresentem sugestões e propostas que impeçam excessos autoritários que originem pior instabilidade do que a da democracia.

Será bom que surja um filósofo, doutrinador, que apresente boas hipóteses de solução e que escolha a melhor e a esquematize por forma a definir o objectivo principal de organização e regras de funcionamento.

Mas, entretanto, há que aproveitar todas as oportunidades para criar força anímica no sentido de as energias serem bem encaminhadas para objectivos essenciais, para olhar em frente. Porém, deve haver a sensatez de evitar que, ao dar um passo, não se entre em aventuras caprichosas sem estar bem consciente de que não haja desvios do trajecto que conduz ao resultado desejado. Porém, é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. No nosso caso lusitano, há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, daqueles que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há, também, que analisar os erros cometidos durante aquilo a que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que dela resultará, a fim de se poder ir «mais longe e mais além». E, relembrando os Lusíadas, não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos. Cabe a cada um de nós desenvolver o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe, numa bandeja, um futuro melhor. Temos que procurar ir «para além da Taprobana». E nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos. Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».

Em qualquer gesto de reforma ou mudanças no regime, é conveniente não se limitar a pequenos retoques, isto é, há que se inserir numa visão de conjunto com vista a objectivos abrangentes para serem sustentáveis. Por exemplo, é opinião corrente que os partidos têm sido o cancro fatal da democracia, como ultimamente se viu em França e na Espanha, onde essas ferramentas tradicionais foram postas de lado por novos grupos. Oxalá estes saibam gerir melhor os interesses colectivos dos seus concidadãos. Em Portugal, o fenómeno ficou-se pela geringonça que, por ser constituída por partidos viciados no sistema, nada mudou no aperfeiçoamento da Justiça, na eliminação da corrupção, na recusa de obedecer aos poderosos da finança, na simplificação da administração despedindo «boys» que nada fazem (ou tudo complicam) e vivem a pensar no dia em que recebem o salário, na injustiça social, etc.

Haja vontade e amor pátrio e coragem para levar a carta a Garcia. Os cidadãos desejam e merecem que se faça tudo pela melhoria da sua qualidade de vida, em clima de Justiça Social.

António João Soares
Em 20 de Junho de 2017

terça-feira, 20 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA GERA MAIS VIOLÊNCIA, ÓDIOS E VINGANÇAS

A violência gera mais violência, ódios e vingançasbr /> (Publicado em O DIABO em 20 de Junho de 2017)

Embora consciente de que não é fácil amenizar o lado selvagem da mente dos governantes das grandes potências, tenho repetido o alerta de que a violência não dá bons frutos e, pelo contrário, dá origem a mais violência em escalada imparável, a ódios e a desejos de vingança. Vemos a concretização deste fenómeno a cada passo como se viu com o atentado em Cabul em que um carro armadilhado matou pelo menos 90 pessoas e feriu cerda de 400, perto do Palácio Presidencial, onde se encontram várias embaixadas e edifícios do Governo, causando danos nas embaixadas da França e da Alemanha.

A confirmar a ideia atrás exposta, recordemos que em 13 de Abril, os EUA lançaram no Afeganistão a maior bomba não nuclear do seu arsenal, a «mãe de todas as bombas», alegando com fanfarronice que, com isso, iam eliminar o Estado Islâmico. Mas este, sem grande demora, reagiu e, no dia 22, perpetrou um ataque contra base militar, causando a morte a mais de 100 soldados afegãos.

E não ficaram por aí, pois em 3 de Maio causaram oito mortos e 26 feridos em ataque a caravana da NATO em Cabul. E no último dia de Maio, novo atentado em Cabul fez os resultados atrás referidos.

Mas se os governantes são os decisores de acções violentas de retaliação que activam o terrorismo e as acções violentas contra os direitos humanos à vida e à harmonia social, eles não são os responsáveis conscientes dessas suas acções, porque quem impõe as guerras e obriga os governantes a fazê-las são os fabricantes de armas. O general Dwight Eisenhower, nos últimos tempos de vida, alertou para o perigo que os milionários do «complexo industrial militar» representam para a PAZ e pela pressão que fazem sobre governantes e chefes de grupos terroristas e dissidentes oposicionistas, para aumentarem o seu negócio, para consumirem o veneno que fabricam.

Por isso um líder de grande potência, antes de decidir, deve ouvir pessoas clarividentes de vários sectores e as suas opiniões devem ser tidas em atenção e respeito. O Trump não tem cura e age por palpite, empurrado pela sua vaidade e ambição, mas sem raciocinar sobre o efeito dos actos que desencadeia. Era previsível que a «bomba mãe de todas as bombas» não iria terminar o terrorismo islâmico nem acabar com o Daesh, mas apenas um acto de violência, com efeito na propaganda, mas que, na realidade, seria mais uma jogada que incitava resposta e esta não demorou e com demasiados resultados graves.

Será que o abandono do Acordo de Paris constitui mais um erro, já condenado por todo o Mundo? Há quem preveja que, sem mais cuidados na redução da poluição, haja alterações climáticas cada vez mais graves, provocando doenças e mortes e aumento da emigração devida à desertificação de extensas áreas sensíveis. Erros de hoje produzirão tragédia para os nossos descendentes.

Quanto à intromissão nos assuntos internos de outros estados, deve ser muito bem ponderada preparando resultados positivos, com respeito pelos verdadeiros direitos das pessoas. Hoje, há diversos analistas a referirem os péssimos resultados para os estados visados e as áreas em que se encontram das destituições e mortes de Saddan Hussein no Iraque e de Muammar Khadafi na Líbia. Num e noutro destes dois casos, os resultados são visíveis na situação de guerra e de caos em que passaram a sobreviver as populações. Casos como estes devem ser tidos como lições sobre a necessidade de bom senso, racionalidade, sensibilidade e humanidade.

Prefira-se a negociação em vez da violência. Desenvolva-se a diplomacia, e mantenham-se os militares preparados para resolver apenas casos extremamente graves e excepcionais. Os diplomatas devem ser preparados e mentalizados para incentivar a procura de soluções por meio de diálogo e negociação entre as partes desavindas e servir de intermediários para conduzir as partes a encontros bem aceites. Evitem a violência e defendam o reforço da harmonia e da paz. Querer eliminar a violência à custa de mais violência é como querer matar a fome com mais privação de alimentos.

13 de Junho de 2017
António João Soares

quarta-feira, 14 de junho de 2017

IDOSOS PRECISAM DE SOLIDARIEDADE



Idosos precisam de solidariedade
(Publicado no semanário O DIABO em 170613)

Era o Sábado 3 de Junho e os residentes do Centro de Apoio Social, à hora habitual, entraram para o refeitório para tomarem o almoço. As mesas tinham uma disposição ligeiramente diferente e os de duas mesas foram transferidos para outras com lugares disponíveis. Já todos estavam sentados quando chegaram os elementos do grupo coral de cantares alentejanos «Lírio Roxo». O Director disse palavras simpáticas de recepção aos visitantes e o almoço iniciou normalmente e, após a sopa, o Chefe do Grupo respondeu às boas vindas com os seus artistas a entoarem um canto, dos muitos que são património cultural da humanidade. E, depois, tudo decorreu sem mais condimentos nem molhos.

Saídos do refeitório foram se dirigindo para o Bar e para a Sala de Leitura onde a arrumação das cadeiras tinha sido feita por forma a haver espaço para os artistas e para a assistência. Quando chegou a hora de iniciar, o Director fez um breve e simpático discurso que agradou a todos e o Coro iniciou com a primeira moda, finda a qual e terminados os aplausos, o Chefe respondeu ao Director e disse palavras amáveis aos presentes, alguns em cadeiras de rodas e outros um pouco alheios por estarem dominados pelos efeitos da doença.

Ao fim de várias modas, foi feito um intervalo para os cantores, o qual foi preenchido por uma acordeonista que entreteve a assistência com música variada que se prestou a que homens e mulheres dançassem. Alguns, depois de se afastarem das bengalas e canadianas, procuraram mover-se um pouco, com muito prazer e algum esforço. Um destes, a meio da canção, desistiu porque o esforço já era demasiado. A idade exige distracção, convívio e divertimento, mas dentro de limites que, em alguns casos, são muito apertados.

Depois da actuação da acordeonista, houve lanche e, a seguir, novos «cantes» alentejanos até ao encerramento.

Foi uma tarde bem passada, em ambiente muito agradável, sem qualquer discriminação entre residentes, empregados, artistas e familiares que se inseriram com oportunidade. Estas horas bem passadas com prazer para todos correspondem à problemática referida no meu texto publicado no semanário O DIABO em 21 de Março de 2017 com o título «Os idosos não precisam apenas de comer e dormir». Também, há poucos dias, li notícia que diz que, na Holanda, há regular apoio de jovens estudantes a lares de idosos, ao ponto de estes lhes darem alojamento para lhes facilitar conversarem e distraírem os idosos internados.

Realmente, o meu artigo tinha título correcto e merece ser devidamente interpretado e aplicado, dentro das possibilidades existentes, não apenas nos lares mas também em família, na vizinhança e em grupos de amigos. Acerca disto, transcrevo palavras do Papa Francisco sobre o envelhecimento, em que segundo Ele, se aprende coisas essenciais como «A felicidade interna não vem das coisas materiais do mundo… quando se tem amigos e irmãos, com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira».

sábado, 10 de junho de 2017

10 DE JUNHO

10 de Junho.

Hoje festejamos o dia da Raça ou de Camões, mas não basta recordar os feitos dos heróis do passado, é preciso olhar para a frente. E não se deve entrar em aventuras caprichosas sem estar bem consciente do resultado desejado.
Mas é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. Há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, dos que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há que analisar os erros cometidos durante aquilo que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que se seguirá, a fim de se poder ir «mais longe e mais além».
E não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos.
Cabe a cada um de nós o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe numa bandeja um futuro melhor.
Temos que procurar ir «para além da Taprobana». Mas nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos.
Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».

quarta-feira, 7 de junho de 2017

ECOLOGIA, AMBIENTE E RELIGIÃO


Ecologia, ambiente e religião
(Publicado em O DIABO em 6 de Junho de 2017)


De manhã fui num grupo à cidade próxima, onde uns aproveitaram para fazer compras e utilizei para tratar da actualização da morada no cartão de cidadão. Depois tirei algumas fotografias e visitei duas igrejas situadas nas proximidades do local de reencontro para o regresso.

De tarde, participei numa «excursão» para ver a procissão da quinta-feira da Ascensão, dia da espiga, que saiu e entrou na ermida da Nossa Senhora dos Milagres, situada num monte sobranceiro ao lugar de Milheiros da Freguesia de Dois-Portos. Vários aspectos me impressionaram e incitaram a meditar e a referir neste espaço.

A ermida, erigida no século XVI localiza-se no «vértice» de uma pirâmide ou cone, levando a nossa vista a muitos Km de distância independentemente do azimute para que estejamos virados. Só isto já merecia a viagem. Mas o interior da ermida possui revestimento de azulejos de reconhecido valor artístico e bem conservados, bem como as pinturas do tecto e a capela-mor, o que demonstra uma arreigada e continuada devoção da população local e da região.

O que mais me impressionou, foi a intenção da procissão, constituída principalmente por mulheres, a maior parte de idade madura, que percorreu por caminhos pedestres rurais os campos bem visíveis lá do alto em que durante uma paragem junto à fonte que, segundo a lenda, está ligada à decisão de construir ali a ermida, o pároco prestou a sua homenagem e aspergiu água benta em direcção não apenas à fonte e às pessoas que integravam a cerimónia, mas também aos campos em geral. Gesto ecológico, de amor à Natureza, que é mãe de todas as vidas animal e vegetal.

Fiquei sensibilizado por esta homenagem à Natureza e saltou-me à memória a interrogação do Papa Francisco, durante a homilia em Fátima, se as pessoas estavam ali reunidas para agradecer e pedir pequenos favores para lhes retirar sofrimentos pontuais ou se era para manifestar respeito e homenagem e agradecer os bons conselhos e sugestões para viverem com mais civismo, bom entendimento e amizade para com os seus semelhantes.

Nunca é demais desenvolver a ética, reforçando o respeito pelos outros, sejam humanos, animais, vegetais ou minerais, isto é a Natureza em que fomos gerados e de que vivemos. Nisso se devem basear as religiões, procurando aperfeiçoar os sentimentos, as emoções, as palavras e as acções de todos e de cada racional. Infelizmente tem havido excepções de movimentos ditos religiosos, que perderam o rumo avançam nas piores direções.

Espero que não deem por mal empregue o tempo gasto nesta leitura, mas não resisti ao apelo íntimo de partilhar esta meditação que desejo contribua para melhorar a postura perante o tema.

terça-feira, 30 de maio de 2017

ENTENDIMENTO GERA HARMONIA E PAZ


Amizade e bom entendimento geram harmonia e paz
(Publicado em O DIABO de 30 de Maio de 2017)

No fim de semana de 13 e 14 e Maio, os portugueses tiveram três motivos de felicidade: A Visita do Papa Francisco a Fátima, depois a vitória do Benfica como campeão nacional e a vitória de Salvador Sobral no festival da Eurovisão.

Foram três acontecimentos que encheram as páginas de jornais e o tempo de emissão das TVs. Há quem se sinta feliz por estes três motivos, há outros que apreciam dois e alguns que gostam de apenas um. Isto porque a felicidade, sendo uma situação psíquica, totalmente individual, depende de cada um, da sua postura afectiva, emotiva e cultural. Cada um tem os sus gostos, as suas preferências, as suas prioridades. E cada um, para ser feliz, deve conhecer-se e saber daquilo que gosta e extrair disso o seu máximo prazer. Quanto a tudo o resto, sem deixar e observar e procurar compreender, deve olhar para os pontos fracos e acidentes com tranquilidade e solidariedade social, mas sem afectar patologicamente a sua própria estabilidade.

Procurar compreender e colaborar na procura das melhores soluções não significa colocar em risco a sua humildade e felicidade, nem impor inflexivelmente a sua própria opinião. A felicidade, na colaboração em benefício da colectividade, sai reforçada se os resultados beneficiarem com o contributo de ideias e de atitudes solidárias que forem tomadas.

Curiosamente, nos acontecimentos atrás referidos, fica patente a convergência de atitudes por parte do Papa e do cantor Salvador Sobral, na atenção dada à solidariedade para com os outros, na amizade, no amor, na convivência social, no respeito pelos outros, em clima de bom entendimento e entreajuda.

Seria bom que tais conselhos e exemplos fossem devidamente interpretados e praticados pela maioria da humanidade para passarmos a viver em paz, em todos os pontos do globo, procurando a inclusão e evitando qualquer indício de exclusão dos outros, por aspectos não essenciais para o futuro harmonioso da humanidade.

Em especial, quanto ao Papa Francisco não devemos deixar de sublinhar o seu gosto pela humildade, pela simplicidade e o seu relacionamento com as pessoas mais carentes. Nisso tem muito em comum com o Presidente Marcelo, mas em cada momento, aproveita para proferir palavras sugestivas de grande elevação moral e social tendo em vista o aperfeiçoamento de uma humanidade mais consciente da necessidade de maior amizade, paz e esperança em tempos melhores. Devemos agir para a melhor compreensão e aceitação das diferentes culturas e tradições de outros povos, interactivamente e com reciprocidade.

23 de Março de 2017
A João Soares

terça-feira, 23 de maio de 2017

A VONTADE DE MUDAR EXIGE PRUDÊNCIA

A Humanidade quer mudar, mas precipita-se
(Publicado em O DIABO de 23 de Maio de 2017)

A Humanidade, talvez estimulada pelas novas tecnologias, deseja simplificar as obsoletas burocracias das máquinas estatais, as quais se desgastam com pormenores sem real interesse colectivo e que entravam a busca dos resultados positivos que contribuam efectivamente para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e o crescimento do poder económico do país. Os responsáveis pela gestão dos interesses colectivos, ou governação, geralmente, não conseguem libertar-se das pressões de gente com poder financeiro que quer a defesa de interesses de amigos, apaniguados, cúmplices e coniventes.

Abundam, em diversos países, casos concrectos que evidenciam a ansiedade da população para acabar com instituições que usam tradições obsoletas e demasiado pesadas aos contribuintes e que impedem a obtenção dos fins desejados pelos cidadãos.

Por vezes, cidadãos mais ousados, embora nem sempre bem informados e prudentes, avançam para soluções de violência que, em algumas situações, geram mais inconvenientes do que vantagens, como tem acontecido na Venezuela, onde parece que conseguiram que o Parlamento aprovasse na terça-feira, 9 de Maio, um acordo sobre a "inconstitucionalidade e nulidade" do decreto presidencial que convoca a formação de uma Assembleia Constituinte a fim de lhe serem dados todos os poderes, à semelhança do que ocorreu na Turquia. O povo turco agiu como um rebanho abúlico, sem vislumbrar o buraco em que ia ser metido, mas os venezuelanos agiram de forma mais lógica, embora devesse ter sido mais arguta e prudente, sem violência que afecta os cidadãos e não os verdadeiros culpados.

Em França, nas eleições presidenciais, os eleitores deixaram bem clara a sua desconsideração pelos partidos tradicionais que ficaram numa situação muito obscura e viram o poder dos votos conduzir à segunda volta dois candidatos menos contaminados pelos vícios da máquina administrativa. Cabe ao novo PR compreender bem a vontade do povo e apoiar-se em pessoas competentes, mas não dependentes dos partidos e, com elas, procurar as soluções mais adequadas à busca da eficiência, com simplicidade, sem burocracias desnecessárias, sem corrupção, para atingir os resultados que a Nação deseja.

E da lição do sucedido em França, devem os partidos de outros países concluir que o seu reinado pode estar muito frágil se não decidirem aliviar e modernizar os seus procedimentos e estudar as melhores soluções para um futuro que satisfaça as esperanças dos eleitores. As oposições, apresentando projectos para os principais sectores da vida nacional e defendendo-os de forma a melhorá-los, no Parlamento, mostrarão ser bons obreiros para a desejada mudança. Mas, para isso, devem deixar de perder tempo com aleivosias e críticas teimosamente agressivas, alheias aos reais interesses nacionais. Não devem perder tempo a criticar repetidamente o que aconteceu ontem a não ser que tenham melhor solução para o assunto e que essa nova estratégia seja eficaz para as previsões das próximas décadas.

Se os partidos não mostrarem competência para efectuar as mudanças adequadas, será o povo, como em França ou na Venezuela, que lutará para as conseguir.

Porém, normalmente, um governo partidário não dispõe de coragem que permita romper a teia em que se encontra pressionado pelos interesses do partido e daqueles a quem este deve favores. E também não é fácil romper com os seus procedimentos anteriores e seguir novas estratégias. Estas estão mais acessíveis à oposição que tem liberdade de inovação e criatividade por estar menos comprometida com os vícios actuais. Com isso, indo ao encontro dos desejos dos eleitores, habilita-se a um bom resultado eleitoral, se apresentar projectos adequadamente elaborados com apoio de técnicos competentes e amantes do país.

Mas, em Portugal, vemos a oposição a perder tempo no Parlamento com conversas sem nível nacional e a preocupar-se com críticas destrutivas e ofensas pessoais aos governantes em vez de mostrar competência para alertar para melhores soluções para atingir os objectivos essenciais de que se espera. É de pouca perspicácia que, estando metade do território em acelerado processo de desertificação, se fale no Parlamento da expansão do Metropolitano de Lisboa com mais 20 (vinte) estações. Os habitantes de ALMEIDA não dispõem de transportes públicos adequados para ir à CGD, que agora fica a 15 Km de distância.

Tudo isto estimula os cidadãos à rebeldia como se vê em vários países, onde chegam a produzir baixas humanos e danos materiais. Precisam-se políticos não viciados nas normas partidárias, que amem o país, isto é, os interesses colectivos. E o povo deve procurar obter informação, para não se deixar arrastar por enganadores cantos de sereia, porque «votar no menos mau» não significa «votar num bom».

16 de Maio e 2017
António João Soares

quarta-feira, 17 de maio de 2017

POPULAÇÃO DE ALMEIDA SERVE DE MEXILHÃO ?


A população de Almeida serve de mexilhão?
(Publicado em O DIABO de 16 de Maio de 2017)

A População do Concelho de ALMEIDA estará mesmo revoltada com a decisão de fecharem a sua da CGD? Não estaremos a ser vítimas de propaganda contra a situação actual e a fazer valer o dito antigo «ter alma até Almeida»?

Há coisas que custam a acreditar. Por um lado, há dias, em 25 de Abril, nos bonitos discursos dos oradores dos diversos partidos foram acarinhadas as populações com esperanças como: - Criminalização do enriquecimento ilícito; - Criação de uma sociedade inclusiva e justa; - Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza; - Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral: - Evitar a continuação da austeridade; - Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea; - Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida; - Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida; - Praticar uma visão solidária da dignidade humana; - Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego; - Difundir os deveres sociais e ambientais; - Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania; - Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.

No mesmo sentido, temos sido informados por «responsáveis» da governação que é imperioso combater a crescente desertificação do interior, em que há povoações apenas com um casal de idosos que já acham desajustado investir no esforço de mudar de residência e preferem ali morrer onde sempre viveram. Mas, pesar destes e de outros factores, ameaçam encerrar a agência da CGD, um banco do Estado, isto é, vocacionado para servir os cidadãos, numa sociedade inclusiva e justa, sem discriminações. Com tal encerramento, os cidadãos do concelho, na maioria idosos e alguns deficientes, quando precisarem de tratar de algo relacionado com as suas magras pensões, terão de se deslocar, sem disporem de transportes públicos adequados, até Vilar Formoso que fica para lá de 10 Km de distância.

Qual o motivo para este dislate? A CGD, noz anos mais recentes entrou em crise, em consequência de erros de gestão, e como solução não hesitaram em fechar aquele balcão, sem penar que, com isso, estão a desrespeitar os direitos dos cidadãos contribuintes do Concelho, os quais não foram minimamente culpados dos erros que outros cometeram.

Estes os seus amigos, que agora não pagam os empréstimos que lhes foram concedidos sem cauções racionalmente válidas, mas apenas por amizade, conivência cumplicidade, sem critério que priorizasse os interesses nacionais, dos cidadãos. Agora tais funcionários e os devedores podem ser milionários, mas «quem se lixa é o mexilhão», quer esteja em Almeida ou noutro ponto do país.

Isto parece um prenúncio de que o País está a afundar-se por ter incompetentes, nomeados por partidos, na gestão de serviços públicos que exigem capacidade, organização, prudência, enfim, responsabilidade para a função e honestidade.

E o que faz a Justiça para parar este desaforo, recuperar os valores perdidos e restaurar a disciplina a ordem social? Um juiz amigo que a Justiça procura inserir-se na legislação existente. Só que esta é feita pelos eleitos, ou, na maior parte dos Casos, por gabinetes privados contratados, a que alguns eles pertencem e que deixam sempre pontos e dúvida, para benefício de seus clientes e para, posteriormente, daí saírem pedidos se parecer, bem rendosos.

E perante tal inoperância de Almeida com nível etário muito pesado (pdi) ou com significativa DNA (Data de Nascimento Antiga) é que «passa as passas do Algarve» ou serve de vítima do ditado «quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão». Pobres mexilhões numa área tão afastada do mar, que vê acelerada a sua recta final da caminhada da vida.

sábado, 13 de maio de 2017

DITADURAS GERADAS DEMOCRATICAMENTE?

Ditaduras geradas democraticamente?
(Publicado em O DIABO de 9 de Maio de 2017)

As ditaduras são detestadas pela maioria da população. Digo maioria e não totalidade porque uma pequena parte dos cidadãos beneficiam das vantagens do poder único e omnipotente, por viverem à sombra dos usurpadores das regalias, com os privilégios daí decorrentes. O que é de estranhar é que, em muitos casos recentes, há ditadores que usam e abusam do poder, mas os eleitores, talvez por ausência de cultura, de capacidade de discernimento e sujeitos aos efeitos de adequada propaganda ou lavagem de cérebro, dão-lhes o voto. O caso mais flagrante foi o do presidente da Turquia que, depois de mostrar, claramente, a sua tendência para se vingar do mínimo gesto que lhe desagrade, fez um referendo para alterar a Constituição passando, legalmente, a ser «todo poderoso», sem Governo e sem um Parlamento onde a oposição possa temperar os seus excessos, e obteve a maioria dos votos.

Os casos em países africanos, asiáticos e na América Latina são numerosos, embora a Comunicação Social não faça especiais reparos. Mas a violência que está a grassar na Venezuela não está a passar despercebida. E a eleição de Trump não merece os elogios de pessoas bem-pensantes e isentas de interesses.

Entre nós, embora se fale de democracia, ainda se não foi além da «partidocracia», como se verifica no sistema eleitoral, em que ao simples eleitor não é dado o direito de escolher os seus representantes nos órgãos de soberania, mas apenas o de votar a lista de um partido, ignorando pormenores sobre os componentes das mesmas que foram escolhidos por decisão de um «líder». O caso mais chocante e recente é o da candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, sem ter sido ouvido, sequer, o presidente da concelhia de Lisboa do Partido, que acabou por se demitir, procurando não melindrar demasiado o seu líder partidário.

Em democracia, a soberania reside na Nação, nos cidadãos, que, para melhor funcionalidade, delegam em representantes, os quais, por honestidade e lealdade para com os representados, devem procurar conhecer os seus sentimentos, as necessidades e objetivos legais, para melhor conseguir preparar um futuro com melhor qualidade de vida para todos, principalmente os mais desamparados. O dever patriótico cabe a todos os cidadãos, cada um participando com críticas positivas, sugestões ou propostas, conforme a sua situação e capacidade. Acerca disto, penso numa líder oposicionista que fala muitas vezes, mas sempre com o mesmo objectivo de criticar demolidoramente o Primeiro-Ministro, acusando-o de erros que já eram frequentes no Governo a que ela pertenceu. Seria mais patriótica se procurasse contribuir para um Portugal melhor, se apresentasse críticas, sugestões e propostas adequadas. Se fosse ao ponto de se mostrar interessada pela metodologia do Presidente da Tanzânia, John Magufuli, isso granjear-lhe-ia mais prestígio e votos para futuros cargos por mostrar maior capacidade e ser defensora dos interesses da maioria dos portugueses.

António João Soares
2 de Maio de 2017

GUERRA FRIA EXIGE GOVERNANTES PRUDENTES

Guerra Fria exige governantes prudentes
(Publicado em O DIABO de 2 de Maio de 2017)

Em 18 do corrente, o ex-líder soviético e Prémio Nobel da Paz, Michael Gorbachev disse, a propósito da questão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, que «todos os indícios de uma nova Guerra Fria estão aí». A afirmação, embora pareça ser adequada à situação vigente, é demasiado preocupante e obriga a meditar muito naquilo que pode acontecer nos próximos tempos.

Com efeito, a guerra fria exige que as partes intervenientes estejam a ser geridas por pessoas pouco impulsivas e arrogantes, mas, pelo contrário maduras, com muito bom senso e muto apurado sentido das responsabilidades. A guerra fria iniciada após a II GM foi conduzida por governantes com profundos conhecimentos dos inconvenientes da guerra que terminara um pouco antes e que desejavam não ver repetida.

Estavam vacinados com o conhecimento ao vivo das realidades da guerra e dos males dela advenientes para os seres humanos em geral, com mortos, estropiados e privados de condições de sobrevivência. Pelo contrário os actuais governantes não têm semelhante experiência e têm demonstrado ausência de respeito pelas pessoas, falta de sensatez e de sentido de responsabilidade, comportando-se muitas vezes como crianças a lidar com brinquedos que, na realidade, são demasiado perigosos e exigem excepcional prudência.

A gestão da guerra fria exige, da parte de cada parceiro, um serviço de informações, bem preparado e sabendo aproveitar toda a colaboração dos serviços diplomáticos, quer dos intervenientes quer do mundo em geral, a fim de ter conhecimento oportuno de sintomas ou indícios de preparativos ou intenções perigosas que possam colocar em perigo o modus vivendi.

Actualmente, as provocações, mais ou menos evidentes, entre os EUA e a Coreia do Norte não são propícias para evitar preocupações relativas à hipótese de uma guerra violenta, possivelmente nuclear, entre as duas partes. No caso de tal situação, eclodir os Estados da margem Oeste do Pacífico sofrerão graves inconvenientes e o resto do mundo não ficará ileso, pois as poeiras radioactivas e a nuvens tóxicas que elas formarão, empurradas pelos ventos, darão voltas ao Planeta, disseminando detritos tóxicos minúsculos que destruirão todos os vestígios de vida, animal e vegetal em qualquer latitude ou longitude. As bombas nucleares actuais são imensamente mais demolidoras do que a de Hiroshima que era pouco potente e pouco mais do que artesanal.

O ideal seria a Paz respeitada por todos, fortalecida por um diálogo franco e aberto entre todos que libertasse todas as energias das pessoas e dos meios materiais para a melhoria generalizada da qualidade de vida sobre a Terra. As bombas, os mísseis e os gases não contribuem para melhorar nada. A «Bomba mãe de todas a bombas» que os EUA lançaram no Afeganistão não impediu, e talvez tenha provocado, por ter aumentado o ódio e a vontade de vingança o caso que foi dado a público em comunicado do ministério: "Os rebeldes talibãs lançaram um ataque coordenado contra a base militar onde a maioria dos soldados estavam reunidos para rezar, provocando no total mais de 100 mortos e feridos entre as forças armadas". Cada vez fica mais claro que a violência nada traz de bom, apenas gera mais violência em escalada incontrolável.

António João Soares
25 de Abril de 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

OS IDEAIS DE ABRIL



Dos discursos dos oradores de todos os partidos na comemoração do 43º aniversário da revolução de Abril conclui-se que os ideais de então não foram completamente concretizados. É necessário e urgente tomar medidas, com reformas profundas para atingir tais objectivos:

- Criminalização do enriquecimento ilícito,
- Criação de uma sociedade inclusiva e justa,
- Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza,
- Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral,
- Evitar a continuação da austeridade,
- Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea,
- Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida,
- Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida,
- Praticar uma visão solidária da dignidade humana,
- Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego,
- Difundir os deveres sociais e ambientais,
- Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania,
- Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.

Só faltou citar dois exemplos de governantes com iniciativas muito positivas, cujos actos merecem ser analisados para deles serem retiradas as convenientes lições:
Pepe (José) Mujica, ex-Presidente do Uruguai
John Magufuli (Bulldozer), Presidente da Tanzânia

Do segundo transcrevo o seguinte texto:

Magufuli, o Bulldozer! Presidente da Tanzânia
É o recém-eleito Presidente da Tanzânia e já ficou na memória das pessoas. Também conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que implementou, John Magufuli tem 56 anos e assumiu a liderança do país a 5 de Novembro de 2015. Os cortes inacreditáveis desde que é Presidente da Tanzânia já fazem eco:
- Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, 9 de Dezembro, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando “o nosso povo está a morrer de cólera” – nos últimos três meses morreram pelo menos 60 pessoas vítimas de cólera.
- Não há mais viagens para fora, as embaixadas deverão tratar dos assuntos no exterior. Se for necessário viajar, uma permissão especial deverá ser dada pelo Presidente ou pelo seu Chefe de Gabinete.
- Acabaram-se as viagens em 1ª classe e executiva– com excepção do Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro ministro.
- Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.
- O Presidente Magufuli perguntou por que motivo os engenheiros recebem V8s (modelo de carro topo de gama) se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho.
- Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se vocês recebem salários; aplicável também aos parlamentares.
- Todos os indivíduos ou empresas que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas (passados 20 anos) ou as fazem recuperar imediatamente ou devem devolver ao governo.
- John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento de 100 mil dólares para 7 mil dólares.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A MUDANÇA FAZ PARTE DA VIDA

A mudança faz parte da Natureza e da vida
(Publicado em O DIABO de 18 de Abril de 2017)

Geralmente, as pessoas não gostam de mudanças porque estas as obrigam a alterar hábitos e comportamentos. Mas as mudanças fazem parte da Natureza e da vida em geral e, por isso, devemos procurar aceitar e reagir da forma mais adequada aquelas que nos surgem inesperadamente. E também não devemos adiar ou evitar mudanças necessárias, aconselhadas pelas circunstâncias da nossa vida, perante a envolvência em que nos encontrarmos.

Mas não convém esquecer que «mudar por mudar é vã tentativa de disfarçar o vazio íntimo». Devem evitar-se mudanças precipitadas que não sejam ajustadas às realidades e aos objectivos pretendidos e que, depois, obriguem a voltar atrás, com os inerentes custos de tempo gasto e de actividades inúteis e nocivas.

Os cuidados a ter antes de decidir uma mudança são tanto mais indispensáveis e necessariamente meticulosos quanto mais elevado é o nível das implicações sociais e abrangência das pessoas afectadas pelas consequências das alterações resultantes.

Devemos aprender a lição das precipitações de Trump que, com a pressa de implantar as promessas eleitorais, antes de mandar proceder a uma análise meticulosa de todos os factores implicados, embora os objectivos pretendidos pudessem ser teoricamente aceitáveis, veio a deparar-se com o facto de as estratégias pretendidas encontrarem dificuldades e oposições, tanto interna como externamente, que resultaram em fracassos logo no início do mandato. Os obstáculos surgidos não contribuem para o prestígio e o sucesso da difícil e complexa função que, há pouco, iniciou.

As restrições a imigrantes de diversos países que foram contrariadas pela Justiça, pelos responsáveis de diversos estados e, também, por autoridades internacionais que recordaram que a actual população estadunidense foi originada por imigrantes de muitas partes do Mundo e que em qualquer estado há gente boa e gente com tendências perigosas.

Outra mudança abortada foi a alteração não devidamente ponderada de apoio de saúde – Obama care - à população mais carente, assunto em que o próprio partido de Trump não pôde dar apoio suficiente.

Com estes casos tão badalados nas Comunicações Sociais de todas as latitudes esperamos que os «donos» da União Europeia pensem bem naquilo que pode ou não ser feito para garantir o melhor futuro para os europeus, com a conveniente confiança nas competências dos líderes que seja geradora e esperança inspiradora de energias positivas para a Europa de amanhã.

Mas uma mudança que era desejável do Estado mais poderoso, embora fosse esperada, não dá sinais de vir ser concretizada, a de tornar as relações internacionais mais pacíficas e harmoniosas, dando maior relevância e operacionalidade à diplomacia da ONU e evitando guerras destruidoras. Porém Trump, com a sua fanfarronice do poder, atacou a Síria com 59 mísseis, lançados contra alvos militares. Em vez de mostrar mestria no diálogo e na negociação, para sanar atritos, usa as armas em larga quantidade, sem contemplações, segundo o velho hábito dos poderosos.

Uma mudança que se impõe é a erradicação, sem excepções, de armas químicas e nucleares. O CS já há muito decretou a proibição da disseminação de armas nucleares, mas no seguimento do erro antidemocrático original da Instituição, os seus membros permanentes, imperiais, criaram para si a excepção de poderem continuar a possuir e aperfeiçoar tai armas, o que tolheu a eficácia de tal decisão e hoje já existem tais armas em vários estados. Mesmo que a erradicação seja total, os Estados que hoje as possuem dispõem de tecnologia, para em caso de anormalidade as poderem fabricar e usar, o que é indesejável, dados os efeitos globais de uma explosão de que as poeiras radioactivas podem ser transportadas pelo vento e danificar toda a vida animal e vegetal do planeta.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A GUERRA E A VIOLÊNCIA DEVEM SER EVITADAS

A guerra e a violência devem ser evitadas
(Publicado em O DIABO de 11 de Abril de 2017)

Perante a insistência ameaçadora de experimentar mísseis balísticos, levada a cabo persistentemente pela Coreia do Norte, surgiram duas reacções significativas e de sinais contrários.

Por um lado, Trump, parecendo sofrer de mania algo semelhante à do líder norte-coreano, diz estar pronto a actuar militarmente contra Pyongyang. Mas, mais sensatamente, o Japão e a Rússia reúnem-se para melhorar as condições de segurança regional, incluindo um sistema antimíssil comum, e aproveitam a oportunidade para resolverem entre si um conflito que dura desde a II Guerra Mundial que se refere à ocupação pela Rússia de quatro pequenas ilhas do norte do Japão, as ilhas Kurilas (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai). A China e a Coreia do Sul vão participar nas conversações deste grupo.

Da atitude belicosa americana nota-se que esta potência mundial ainda não se libertou da submissão aos interesses dos fabricantes de armamento. Trump ainda não assumiu que o erro da invasão do Iraque em 20 de Março de 2003, resultou de uma má avaliação da situação e desencadeou uma guerra de que ainda hoje está muita gente a morrer no Médio Oriente e foi destruído muito património, cultural, histórico e artístico. Quanto à Coreia, à China e a outros Estados vizinhos estão a tentar soluções pacíficas que evitem novos conflitos desastrosos para a Humanidade.

A violência provoca mais violência numa escalada difícil de fazer parar e os ódios por ela gerados poderão manter-se durante séculos. A guerra faz perder muitas vidas inocentes, pelo que não pode nem deve ser decidida por governantes sem sentido de responsabilidade, de respeito pelos outros e de humanidade. Estes valores não devem servir apenas para ornamentar lindos discursos de ocasião ou de campanhas eleitorais.

O presidente dos EUA deveria meditar nos resultados das suas intervenções militares, para a população dos países em que entraram e para o resto da Humanidade. Recordo o Vietname, as Coreias, o Afeganistão, o Iraque, a Somália, etc. Ficaram muitas razões de queixa e ódios que podem explodir a qualquer momento. Mas alguém beneficiou: os patrões do complexo industrial produtor de armamento que, como alertou Eisenhower, são persistentes instigadores de guerras e rebeliões que utilizam os seus produtos.

Porém, se, em alternativa, a intervenção tivesse sido conduzida por diplomatas e intermediários, conselheiros para a procura de soluções negociadas, construtivas da paz e de bom entendimento, com o máximo respeito possível pelos intervenientes e com a preocupação permanente da melhoria da qualidade de vida das populações, o Mundo viveria de forma mais harmoniosa, com a economia mais desenvolvida e uma distribuição da riqueza menos injusta do que a actual.

A atitude orientada para a harmonia e a negociação entre as partes em conflitos, delineada pela Rússia, a China, o Japão e a Coreia do Sul, são um bom prenúncio e um sinal de sanidade política gerador de esperança num Mundo melhor, mais civilizado e menos louco. Será bom que muitos Estados procurem encarar de frente soluções negociadas para controlar e reduzir os atritos, quer internos como na Colômbia (FARC) e na Espanha (ETA) quer internacionais. É bom compreender que a procura da paz e da concórdia não se consegue com o emprego da violência.

Este tema deve ser bem analisado, principalmente com a finalidade de se verem mais países a preocupar-se com a prática de uma metodologia destinada a obter os melhores resultados para um clima de paz e bom entendimento pelo diálogo aberto e sincero. Já tenho referido isto várias vezes, mas acho que não devo parar porque defendo a ideia de que «água mole em pedra dura tanto bate até que fura». Todos devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para contribuirmos para uma melhor qualidade de vida da humanidade, a que pertencemos.

António João Soares
4 de Abril de 2017

domingo, 9 de abril de 2017

VALE MAIS PREVENIR DO QUE REMEDIAR

Vale mais prevenir do que remediar
(Publicado em O DIABO de 4 de Abril de 2017)

Agora, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção investiga, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é um facto é que não havia medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas na data em que nos encontramos é que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe.

Mas essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património, perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, se as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir».

A João Soares
21 de Março de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

UMA DECISÃO DEVE SER SEMPRE PRECEDIDA POR ANÁLISE E COMPARAÇÃO DAS SOLUÇÕES POSSÍVEIS


As paragens e os recuos a que Trump já foi obrigado, durante pouco tempo de funções realçam a conveniência de, antes e ser tomada uma decisão, dever ser analisado o tema, e todos os factores que o condicionam a fim de serem formuladas várias soluções possíveis compará-las e escolher a melhor. É assunto já aqui abordado diversas vezes.

A experiência mostra que é mais aconselhável prevenir um erro do que, depois de ele ocorrer, ter de o remediar.

Recentemente, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção decidiu investigar, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é provável é ter havido falta de medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas, está a findar o momento anual apropriado em que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe. Porém, essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património (por vezes com grande interesse histórico e artístico), perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, e as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as suas próprias tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia e a segui o Japão ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China e a Rússia a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora, no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir». É bom ser como o velhinho pensador, mas sem se deixar pear pela indecisão.

terça-feira, 21 de março de 2017

RESPEITAR E APOIAR OS IDOSOS

Os idosos não precisam apenas de comer e dormir
(Publicado em O DIABO de 21 de Março de 2017)

Os idosos, principalmente quando são mendigos ou sem abrigo, não deixam de ser pessoas a merecer respeito pelos seus direitos humanos. Os apoios sociais têm desenvolvido uma actividade meritória, mesmo que ainda incipiente, no apoio material, dando comida e, por vezes, abrigo aos mais desprotegidos. Mas os idosos, mesmo os menos carentes, não precisam apenas de comer e dormir. Precisam também de ser ajudados a manter activo o seu lado espiritual, psíquico, através de ocupação cultural, de curiosidade pelo que se passa, de transmissão do seu saber acumulado durante a vida e até de fazer algo de útil, em trabalhos de lavores, de pinturas, de artesanato, de bricolage, de arte musical, etc. Esse apoio, devidamente orientado, contribuirá para manter activos os sentimentos, afectos, amizade e sentido de utilidade. Isso e a realização de contactos entre os residentes em lares e alunos de escolas poderá contribuir, pela transmissão do saber sedimentado pela idade, para ajudar estes jovens a serem mais conscientes e felizes num mundo com mais ética e civismo e a ter comportamentos sociais mais correctos e com flexibilidade para se adaptarem às condições sempre mutáveis da sociedade. Um lar bem organizado deverá ter algumas semelhanças com uma academia para séniores, com base no voluntariado.

Os dirigentes este tipo de instituições devem ter sensibilidade e humanismo para obterem os melhores resultados e serem, por isso, convenientemente respeitados e valorizados.

Recordo que o Secretário-Geral das Nações Unidas, em 26 de Fevereiro, disse que o "desrespeito pelos direitos humanos é uma doença" que se está a espalhar pelo mundo e sublinhou que, para atalhar a um tal perigo desta epidemia social, a "prevenção deve ser a prioridade". E para cimentar a convicção de que é preciso praticar activamente o respeito pelos direitos humanos, deverá, sem demora, ser respeitado o conceito de que as pessoas, além do corpo, têm uma alma que precisa de ser apoiada. E uma situação psíquica equilibrada ajuda a viver mais e melhor.

É certo que, num lar de idosos, há pessoas que já são pouco ou nada receptivas a apoio psíquico ou cultural, mas as que ainda possuem ligação com as outras deverão sentir-se melhor com estas ajudas, do que se estiverem paralisadas em frente da TV de que não tiram benefício significativo. Talvez seja preferível que olhem para os trabalhos artísticos e os lavores feitos por colegas e que olhem para os seus exercícios de dança, de ginástica, de ensaios corais, de leitura de poesias, etc.

Por outro lado, os trabalhos realizados podem ser objecto de exposição ao público, com fundo musical de alguns cantos, dança, fotografias, etc. que contribuirá para realçar a imagem do lar de idosos que levar a cabo essa actividade e, ao mesmo tempo, para divulgar a «prioridade» a que se referiu o engenheiro António Guterres. Esses trabalhos também podem ser vendidos, se os autores estiverem de acordo, e o resultado da venta ser destinado a melhoria das suas vidas ou a outro fim de beneficência.

Se a ociosidade é mãe de todos os vícios, as pessoas, dentro das suas possibilidades e energia disponível, devem evitar parar e estagnar, por que isso é provocar um fim prematuro. Devem manter-se o mais activas que puderem, quer física quer psiquicamente.

António João Soares
14 de Março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

TRANSPARÊNCIA OU OPACIDADE

Transparência ou opacidade
(Publicado em O DIABO de 14 de Março de 2017)

Tem sido viral, após eleições legislativas, criticar a quantidade de abstenções, mas não se divulga um estudo sério, independente, isento e esclarecedor do fenómeno e suas causas. As imagens que, normalmente, chegam aos eleitores são desencorajantes do cumprimento do dever de votar. As notícias conhecidas sobre a promiscuidade de actividades privadas com funções de Estado, de que resultam conflitos de interesses em que os públicos ficam desfavorecidos, tudo isso e muito mais está ligado ao facto de as listas de candidatos a eleições serem impostas aos eleitores, embora se diga que os deputados são escolhidos (eleitos) por estes.

Conclui-se que o sistema eleitoral não é realmente democrático nem transparente, dado que quem vota, limita-se a escolher uma lista sem conhecer suficientemente todos os elementos que nela constam. E fica sem a mínima responsabilidade da eleição de pessoas sem o perfil conveniente para as funções que irá desempenhar.

Também das tricas e dos conflitos de linguagem entre os deputados, quando, aparentemente, deixam de lado os problemas nacionais essenciais, para se maltratarem mutuamente a pretexto de ninharias sem interesse, dão um péssimo uso ao tempo que lhes é dedicado e criam nos eleitores uma péssima ideia dos interesses das eleições, tal como se processam em todo o seu circuito. E, quanto a transparência, o resultado é nulo ou negativo. Para haver transparência na máquina do Estado deve haver uma organização bem estruturada, com normas de procedimento claramente elaboradas de que resultariam tarefas claras e precisas atribuídas como funções a executar por pessoas conscientemente responsáveis e com elevado respeito pelos direitos dos cidadãos que são a essência da democracia. E sente-se a necessidade de um sistema de controlo do funcionamento da máquina estatal, a começar pela AR, que garanta os melhores resultados e assegure uma eficaz preocupação com o espírito de prevenção para que não haja erros e tudo melhore com o passar dos dias. Mas essa organização não existe, ao ponto de, nas comissões de inquérito da AR, ninguém saber de nada, ninguém ser responsável, nem saber quem deveria ou poderia esclarecer o que realmente se passou. Há opacidade completa, em vez da transparência de que tanto de diz ser desejada. Mas, apesar desta necessidade de transparência, os denominados órgãos de comunicação social, não procuram dar aos cidadãos conhecimento daquilo que realmente se passa e de mostrar as raras iniciativas de quem quer esclarecer, antes repetem à exaustão aquilo que é desprezível, ajudando a reforçar as muralhas do obscurantismo que anestesia o poder de reflexão e aumenta o desinteresse pelo que é essencial e a continuação da degradação social.

E quanto a acção preventiva, surgem dúvidas, por exemplo, acerca do que foi feito para evitar as crises nos bancos? Não foi evitada a do BPN nem, depois, foi tirada deste a conveniente lição para evitar que a doença contagiasse vários dos outros, incluindo a CGD. Havia na organização algum dispositivo para estar atento e tomar medida preventiva? E, se havia, qual a razão de não ter actuado antes de surgir o colapso do Sistema financeiro? E qual a sanção de quem errou? Também aqui se nota a ausência de uma organização adequada com tarefas claramente atribuídas e controladas.

Com estas considerações não se procura dizer mal mas, sim, alertar para a necessidade de evolução, evitando falhas, e aperfeiçoando o funcionamento da máquina de que todos os cidadãos dependemos. Desejamos que a melhoria da nossa qualidade de vida constitua uma preocupação prioritária dos elementos do Parlamento e que seja visível por todos os que virem as transmissões da TV.

António João Soares
7 Março 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

CADA MACACO EM SEU GALHO

Cada macaco em seu galho
(Publicado em O DIABO de 7 de Março de 2017)

A sabedoria popular diz que não se deve esperar que um sapateiro toque rabecão, mas a sensatez diz que também não convém que o artista que bem maneja o rabecão seja visto a colocar umas gáspeas nuns sapatos. Mal iriam as coisas se, num quartel, um oficial superior tivesse que fazer o papel de sentinela ou se um soldado fosse encarregado de elaborar uma ordem de operações. A cada um compete a sua missão e as tarefas apropriadas. Enfim, cada macaco em seu galho.

Por exemplo, não é curial o procedimento de Trump que quer, ele próprio, tomar decisões repentinas, em vez de atribuir, de forma adequada, a um dos seus colaboradores o objectivo a concretizar para atingir uma finalidade essencial do Estado, dentro das atribuições que lhe estão confiadas e, no fim de estudos por ele realizados e perante as soluções possíveis que lhe forem apresentadas, se dignar tomar opção pela melhor ou mandar estudar com mais pormenor as diferenças entre duas delas para que a escolhe seja bem criteriosa.

Este tema é muito complexo e mexe com conceitos de chefia, liderança, missão, funções atribuídas, informação, estudo, análise, modalidade de acção, decisão, controlo, inspecção, etc. Estes conceitos foram abordados, de forma sucinta, no texto aqui publicado em 27 de Setembro de 2016.

Mas a tentação de pessoas dotadas de saber mais vasto, ou disso convencidas, conduz a excessos de entrada em seara alheia o que algumas vezes lhes pode trazer dissabores. Trump já está com o seu campo de luta afectado em muitas frentes, jornalistas, juízes, muçulmanos, México, Austrália, NATO, vários países asiáticos, etc.

Mas, entre nós, as coisas não correm da melhor forma e os receios da fogosidade do nosso PR, na maior parte dos casos merecedora dos mais rasgados elogios, teve agora um curto-circuito que chocou muitos portugueses de gema. Foi a sugestão que, saindo da sua boca, pode ser tomada como uma ordem, de dar ao aeroporto do Montijo o nome de Mário Soares, quando a nossa história do século passado contém pessoas ilustres que estiveram ligadas, com muito brilho e bons resultados, ao desenvolvimento do saber da actividade aérea nos sectores de transportes e militar. Gago Coutinho, Sacadura Cabral, Kaulza de Arriaga, alguns falecidos em combate na guerra do Ultramar, etc.

Neste, como em muitos outros assuntos, é conveniente ouvir os especialistas, competentes, isentos e independentes, para darem sugestões, dentro do espírito de que a de início «a asneira é livre» podendo cada um dizer o que lhe vier à ideia e, depois, perante a lista de soluções, ver o que cada uma tem a favor ou contra, de ser escolhida ou a mais apoiada.

Os defensores da liberdade de expressão, dirão que ao cidadão investido das funções de PR não deve ser coartado tal direito. Mas, na realidade, o seu peso obriga a opinar com conta e medida para não condicionar ou «impor» soluções discutíveis. O cidadão simples e humilde que escreve estas palavras tem muito cuidado em não dizer a sua opinião pessoal nem dar orientações, embora, se o fizesse, isso não mexesse uma palha na vida nacional. Cada cidadão deve ser cuidadoso e agir dentro dos condicionamentos impostos pelo cargo que ocupa e não fazer como Trump e… os nossos deputados na AR e nas Comissões de Inquérito.

António João Soares
28 de Fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

O DIÁLOGO FACILITA A CONVERGÊNCIA

«O diálogo facilita a convergência»
(Publicado em O DIABO de 28 de Fevereiro de 2017)

O diálogo facilita a convergência para as grandes decisões. É frequente ouvir e ler alguns políticos mais esclarecidos que referem a necessidade de reformas estruturais na Administração para fazer face ao crescimento da economia, à melhoria da qualidade de vida das pessoas e à harmonia social. Para isso, é preciso não alimentar as pequenas divergências, que até ocorrem nas famílias e nos pequenos clubes. Dialogando, pode conseguir-se a convergência nos pontos essenciais, abrir horizontes e alargar as vistas para o desenrolar de soluções bem analisadas, planeadas e promissoras de resultados benéficos para o Futuro de Portugal, numa época, que cada vez se antevê mais confusa. Para sobreviver num futuro imprevisível, é preciso encaminhar bem os passos e «festejar» cada acto correcto e, a partir dele, continuar a avançar racionalmente na busca de soluções para os mais altos objectivos. Todos seremos poucos para as grandes convergências no essencial. Quem, em vez de colaborar, na medida do possível, se deleitar em lançar areia na engrenagem, não pode ser considerado patriota, pois não passará de um inimigo do colectivo.

O diálogo, as conversações, são uma ferramenta indispensável par a transparência democrática. Merece ser citada a disponibilidade do PR, do PM e do ministro das Finanças para esclarecer o caso da CGD que tantas tricas e acusações maldosas levantou na oposição com perda de tempo que seria melhor empregue na análise dos problemas essenciais em sectores como a economia, a saúde, a educação, a justiça e a situação dos mais carentes de apoio social.

Também tem significado a visita realizada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres a cinco países do Médio Oriente, região onde a população tem sido tão martirizada pela violência e tantos refugiados tem originado. Oxalá seja produtiva esta tentativa de estimular o diálogo e a negociação em vez da guerra e deve ser levada a cabo adequada ajuda humanitária aos refugiados que tiveram de abandonar as suas casas para procurar refúgio seguro noutras terras.

Mas o diálogo para resolver pequenos desentendimentos exige humildade para ouvir os desabafos dos outros e fazer cedências a fim de convergir para uma solução aceite pelas partes. Não estão preparados para o diálogo e a negociação aqueles que acreditam fanaticamente nas suas próprias virtudes, que confiam obstinadamente na sua racionalidade e caem na arrogância de considerar que têm o exclusivo da verdade, da bondade e da compaixão. Estes caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações.

Um caso típico de erro, por recurso à força ocorreu recentemente no Estado Espírito Santo do Brasil, onde apenas mais de uma semana depois de iniciada a paralisação da polícia e do recurso a militares do Exército, foi iniciada a conversação com os causadores dos distúrbios que tiraram a vida a mais de 100 pessoas e destruíram e vandalizaram lojas, haveres e outros tipos de património. O diálogo devia ter sido utilizado logo que os polícias se queixaram da sua situação, a qual nem sequer devia ter chegado ao ponto crítico se as hierarquias tivessem o cuidado de observar e analisar com humanidade e sensatez os pormenores antes que se tivessem tornado insuportáveis. Comandar ou governar não pode limitar-se a ser mandar, impor e exigir obediência.

No diálogo, deve ser tida em atenção a transparência e o respeito pela própria imagem e credibilidade, para o que não convém mentir nem deixar dúvidas sobre a verdade das afirmações proferidas, o que parece não ter acontecido nas diversas sessões de âmbito parlamentar a propósito da baralhada e das tricas sobre o problema da CGD.

Nos antípodas do diálogo bem intencionado e construtivo estão uma gotas de veneno, sob o pretexto de memórias, lançadas contra o legítimo chefe do Governo a quem, nas suas funções, devia ser garantida serenidade para reflectir nos complexos problemas nacionais, ser dado apoio e sugestões para poder gerir da melhor forma os interesses nacionais para bem dos cidadãos. Sendo o tempo um recurso irrecuperável, é pena ver como está a ser desperdiçado com tricas e peixeiradas.

A João Soares
21 de Fevereiro de 2017

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MÉDIA E EPIDEMIAS SOCIAIS

Os Média alimentam epidemias sociais
(Publicado em O DIABO de 21 de Fevereiro de 2017)

As notícias de que a indisciplina está a aumentar nas escolas não poder ser apenas atribuída à deficiente educação recebida em casa e nas próprias escolas mas, resulta em grande parte, de uma degradação progressiva e acelerada que a sociedade vem sofrendo devido a factores variados com os quais é conveniente ter cuidado: o papel dos média e o abuso de recurso à Internet por pessoas ainda mal preparadas. Quanto aos pais, a sua ocupação nos empregos leva-os a deixar os filhos em creches onde são acompanhados mas não educados de forma a tornar-se crescidos e cidadãos responsáveis. Por isso, com tal complexo de culpa, quando estão com os petizes, não os contrariam e satisfazem todos os sus caprichos.

De posse, desde tenra idade, de smartphones, bebem de fontes desconhecidas muita informação, por vezes nociva, que lhes desenvolve uma mentalidade dificilmente controlada por pais e professores. Em vez de mimosos arbustos decorativos, integrados no jardim da civilização, crescem como robustas árvores selvagens misturadas em selvas descontroladas.

A Comunicação Social, tem-se preocupado mais «com o homem que morde o cão do que com o cão que morde o homem», mais com o malfeitor e o criminoso do que com o que se distingue na investigação científica, na arte, na cultura, na boa gestão, na inovação, na defesa e protecção dos sem-abrigo, etc. Essa tendência estimula e incentiva as mentes mal formadas na procura da celebridade pelo mau caminho, imitando os falsos «ídolos» criados por noticiários sucessivos.

Recordo que quando Marilyn Monroe faleceu, inesperadamente, em 5 de Agosto de 1962 por provável overdose ou suicídio, houve uma atitude mundial dos órgãos de CS para não ser dado muito espaço ao assunto a fim de não provocar uma onda de suicídios em jovens fãs da actriz, possuidoras de mente menos sensata e que podiam ser levadas a imitar o seu ídolo. Actualmente, essa atitude solidária está a funcionar ao contrário, tornando heróis os criminosos que são citados durante horas e dias seguidos mostrando as suas fotos, como foi por exemplo o caso de Aguiar da Beira e de outros, chegando ao exagero de divulgar pormenores das habilidades utilizadas nos crimes. Parecem querer ser escolas de crime, só faltando alvará para poder fazer exame e dar diploma. Vários amigos têm-me dito que nem sequer querem olhar para a página frontal de um jornal que abusa de tais «sensacionalismos».

Falar muito de casos de violência, além de os aumentar e generalizar, são autêntico terrorismo ou guerra psicológica que causa mal-estar nas pessoas criando nelas medo de sair à rua e até de continuar a viver. Os grandes movimentos de terrorismo pretendem criar esse estado de espírito aterrorizado.

Repare-se no endeusamento da coscuvilhice à volta de pretensa troca de e-mails entre um ministro e um cidadão que quer manter oculta a sua fortuna. Desde a AR, que se esquece da sua obrigação perante os cidadãos, até aos jornais, isso é prioritário e sobrepõe-se ao pr EPIDEMIAS SOCIAISoblema dos sem-abrigo que enfrentam as péssimas condições meteorológicas, ao dos idosos e deficientes solitários, à necessidade de reformas de serviços a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas com carência vitais, etc.

Há dias criticaram a falta de qualidade de um lar de idosos, mas não provaram que não havia melhor alternativa à escolha dos clientes e não alertaram governo, serviços e população para soluções desejáveis e possíveis. O que é bom e deve ser apontado como exemplo deve passar a ocupar mais espaço na informação pública para estímulo e incitamento à competição por mais e melhor. Mas a prática tem sido deixar passar isso ao lado. Por exemplo O Ronaldo é mais citado por alguns defeitos (não há quem os não tenha) do que pelo bem que faz aos familiares, a doentes, a deficientes e a carentes, numa acção exemplar de solidariedade e de generosidade para os necessitados. Há pessoas mais ricas que não olham para um pobre com vontade de o ajudar. E até há críticas para a actividade do PR ao pretender mostrar a necessidade de lutar contra as diferenças sociais demasiado chocantes. Ele bem merece ser seguido por «apóstolos» dispostos a ajudar a concretizar os objectivos que ele pretende ver resolvidos.

Será conveniente que a CS mostre modelos de virtude e estimule as pessoas, os voluntários e as instituições, no respeito por valores sociais, criando gosto pelas boas práticas profissionais, pela cultura, pela arte, pela investigação científica, etc. Entrevistem-se os galardoados com prémios internacionais, os que registam patentes de inovações, etc. Escolham-se boas bandeiras para mostrar Portugal aos portugueses.

A João Soares
14-02-2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TRUMP QUER LUTAR CONTRA O TEMPO

Trump quer lutar contra o tempo
(Publicado em O DIABO de 14 de Fevereiro de 2017)

Trump está a tentar cumprir aquilo que prometeu na campanha eleitoral. Mas nem parece que a sua actividade tenha sido a «construção civil». Ninguém que deseje construir um palacete, o pode ver pronto a habitar no dia seguinte a ter manifestado tal desejo, mesmo que o tenha escrito em papel e assinado com caneta de feltro bem visível perante a câmara e vídeo. Com efeito, desde o momento em que a intenção é formulada, há muitos passos a dar para ser atingido o objectivo, desde a escolha do local, a elaboração dos estudos e planos até à entrega da chave, há muitos e diversificados trabalhos a levar cabo. As fases intermédias, ou objectivos parciais, são entregues a técnicos especializados – arquitectos, engenheiros, estocadores, pintores etc – cujo trabalho deve ser acompanhado e sujeito a observações e opiniões do patrão. Este deve abster-se de querer inserir o mobiliário antes do momento adequado e, só nessa altura deve, fazer a escolha das ofertas de mercado que lhe agradam e recusar as outras. É preciso dar tempo ao tempo e não baralhar tudo a fim de evitar fazer trampa.

Ora ele, parece querer resolver cada uma das suas intenções, apenas com o efeito milagroso e um papel assinado com pompa e circunstância, no seu gabinete, perante o operador de vídeo, mostrando para a máquina a sua assinatura bem vistosa.

Para um gestor competente, com sentido da responsabilidade, isso pode ser apenas o sinal de partida para uma longa maratona. Sem serem criadas as necessárias e adequadas condições, sem ser preparado o pessoal que vai ter de agir de forma diferente daquela a que está habituado, e sem conquistar a aceitação e a adesão das pessoas que vão ser atingidas pelos efeitos da mudança, dificilmente podem ser esperados os melhores resultados.

As reacções já visíveis em determinados sectores, não apenas nacionais, mas também de muitas partes do globo prenunciam as dificuldades que advirão de decisões complexas e precipitadas sem a adequada ponderação e busca da melhor alternativa. A forma como um seu admirador agiu contra uma mesquita de Quebec, pode ser considerado o primeiro sinal, e muito preocupante, do ambiente de confusão criado.

Sobre a preparação da decisão, sugiro a leitura do texto publicado no jornal «O DIABO» em 27-09-2016. A metodologia nele apontada aplica-se a todo o tipo de decisões e é imprescindível naquelas que irão afectar a actividade de muita gente e de vários países. Desde a adopção de uma intenção até iniciar a acção para a sua concretização há um cuidadoso e meticuloso trabalho mental, burocrático e de contactos com pessoas, directa ou indirectamente, atingidos, a elaborar.

Também se relaciona com este tema o texto «promessas e decisões anunciadas precocemente» publicado em O DIABO de 18 de Outubro de 2016, em que se mostra a vantagem de as coisas não serem publicitadas, antes de estarem bem definidas e ponderadas, para não exigirem recuos desvantajosos para o prestígio e a imagem do decisor.

Não é por acaso que, num alto cargo, o responsável dispõe de uma equipa, que pode ser muito numerosa e diversificada, para colaborar na formulação de todo o trabalho antes de a decisão saltar para o público. Isso mostra bem que a decisão a esse nível não constitui uma obrigação pessoal, prepotente, autoritária, por capricho, sem atender aos pareceres de colaboradores. Não se pode aplicar uma norma do tipo «quero, posso e mando».

A João Soares
O7.02.2017